terça-feira, 1 de junho de 2010

braquetes autoligáveis

















Recebi esse artigo do DR RENAN e acho ele interessante fala sobre os braquetes au to ligados e acho super importaante .















A estética no sistema de braquetes autoligáveis







Daniel J. Fernandes*, Rhita C. C. Almeida**, Cátia C. A. Quintão***,
Carlos N. Elias****, José Augusto M. Miguel*****
Resumo
Palavras-chave: Fricção superficial. Braquetes estéticos. Modo de ligação. Ortodontia.







A R T I G O I N É D I T O







* Aluno de Mestrado em Ortodontia-UERJ – Rio de Janeiro/Brasil.
** Aluna de Mestrado em Ortodontia-UERJ – Rio de Janeiro/Brasil.
*** Doutora em Ortodontia - UFRJ. Professora Adjunta,Ortodontia-UERJ–Rio de Janeiro/Brasil.
**** Doutor em Ciências dos Materiais – IME. Professor de Ciências dos Materiais - IME – Rio de Janeiro/Brasil.
***** Doutor em Odontologia - UFRJ. Professor Adjunto, Ortodontia-UERJ – Rio de Janeiro/Brasil.







INTRODUÇÃO







O uso cada vez mais freqüente de mecânicas
de deslizamento tornou o controle do atrito em
Ortodontia uma das principais preocupações para
o sucesso do tratamento planejado. O atrito pode
ser definido como uma força que se opõe ou retarda
a movimentação de dois corpos que se encontram
em contato. Diferentemente do uso de alças,
onde o atrito gerado é mínimo, o deslizamento
responde por considerável quantidade de fricção
na interface braquete/fio ortodôntico1,10,11,12,14,15,
sendo a dinâmica deste binômio essencial para o
estabelecimento da movimentação ortodôntica.
Diversas indicações são atribuídas à mecânica de
deslizamento, tais como casos de fechamento de
espaços, além da translação e retração de elementos
para ocupação de áreas de extração1,10,11,12,15.
O conceito de braquetes autoligáveis surgiu
em 1935 com o advento do sistema Russell Lock.
A partir desta data, já era preconizado um sistema
que viabilizasse a otimização do tempo de atendimento
e uma maior facilidade de união do sistema
braquete/fio ortodôntico, com a menor quantidade
de atrito possível11,13,14. A retenção do arco no interior
da ranhura do braquete era obtida através de
um sistema mecânico ajustado na superfície vestibular
do artefato, funcionando como uma quarta
parede da ranhura. O padrão de autoligação foi seguido
e aprimorado por Wildman em 1972 com o
sistema Edgelok11,13,15.
Hanson, em 1975, combinou o Sistema Edgewise
preconizado por Angle com conceitos pessoais,
desenvolvendo um aparato helicoidal autoajustável
único, capaz de reter o arco e transmitir ao
mesmo algum grau de ativação11,13,15. Apresentava,
porém, algumas limitações inerentes à capacidade
de distensão do sistema de molas segundo o qual a
resposta da interação fio/braquete subordinava-se
Introdução: os braquetes autoligáveis foram, inicialmente, idealizados com objetivo de otimização
do tempo de atendimento clínico. Por dispensar qualquer tipo de amarração, inúmeras
vantagens foram atribuidas a este sistema, com a redução da fricção superficial na interface
braquete/fio ortodôntico. Com esta redução, são necessárias forças de menor intensidade para
o estabelecimento da movimentação dentária, realizada, assim, de uma forma mais rápida e
eficiente. Em decorrência da maior demanda estética por parte dos pacientes, os braquetes
autoligáveis começaram a ser confeccionados em policarbonato, promovendo ganhos estéticos
únicos, quando em comparação a seus anólogos metálicos. Objetivo: realizar uma revisão de
literatura sobre o sistema de braquetes autoligáveis estéticos.
A estética no sistema de braquetes autoligantes
R Dental Press Ortodon Ortop Facial 98 Maringá, v. 13, n. 3, p. 97-103, maio/jun. 2008
ao calibre do fio ortodôntico empregado.
Diversos outros tipos de braquetes autoligáveis
foram idealizados, com variações de forma, tamanho,
mecânica e material. Todavia estes artefatos,
apesar de sua considerável capacidade de diminuição
do atrito, nunca se difundiram de maneira permanente
no cotidiano ortodôntico6. O alto custo
e a inicial fragilidade apresentada por este sistema
foram os principais responsáveis pela não ratificação
do mesmo15,16.
Após o ano de 2000, com o surgimento de braquetes
autoligáveis de menores dimensões, maior
robustez e praticidade de manipulação, estes artefatos
tornaram-se interessantes ao uso diário do
ortodontista. Todavia, um maior apelo à estética foi
observado por parte dos pacientes, redirecionando
a uma nova tendência12. Estes começaram, então, a
ser confeccionados em policarbonato. Estudos realizados
por Cacciafesta et al.3 afirmam que o atrito
produzido por este tipo de material apresenta-se
como mais próximo ao observado em braquetes
metálicos convencionais, apesar de superior ao
mesmo. Contudo, pouco se observa na literatura
sobre o comportamento deste dispositivo quando
confeccionado em policarbonato, tornando-se necessária
uma revisão de literatura sobre o assunto.







REVISÃO DA LITERATURA







Fricção superficial e atrito
Fricção pode ser definida como a grandeza
contrária à movimentação de um corpo em relação
tangencial à superfície de outro, atuando em
sentido oposto à tendência de deslocamento do
mesmo1,11,14,15,18. A grandeza é abordada segundo
seu coeficiente de fricção, resultado do quociente
entre o módulo da força de fricção tangencial e
a carga aplicada pela força normal, perpendicular
ao movimento em análise10. Sua natureza pode ser
decomposta em uma componente vertical, denominada
força normal, que responde pela interação
entre as superfícies de contato dos corpos envolvidos
no movimento. Está também subordinada ao
coeficiente de atrito, o qual se demonstra constante
para cada tipo de material e é dependente de características
físicas, tais como textura, rugosidade
e dureza das superfícies envolvidas14,18. A fricção
pode ser, ainda, dividida em duas outras forças, de
acordo com estado de dinâmica ao qual o sistema
se encontra submetido1,18. Ambas as grandezas são
conhecidas como fricção estática e cinética, antagonistas
ao estado de inércia apresentado, estando
o corpo em repouso ou em movimento, respectivamente11.
A componente estática muitas vezes
apresenta-se como superior escalarmente à sua
análoga dinâmica15.
O controle da fricção existente durante o deslocamento
do fio no interior da ranhura de braquetes
torna-se crucial pelo fato da mesma influenciar
diretamente a taxa e o tipo de movimentação
dentária1 e, conseqüentemente, o grau de sucesso
alcançado com a mecânica. Pode ser influenciada
por inúmeras variáveis, como o tipo de material,
dimensão, forma e angulação da interface fio/ranhura1-
7,10,14-18, situações de umidade do meio12,13,
forças de ligação e tipo de amarração2,6,10,11,13,15.
Em relação ao tamanho dos braquetes, os de
menores dimensões demonstraram valores de fricção
superiores aos de maiores dimensões10. Tal afirmação
justifica-se pelo fato de braquetes menores
permitirem uma maior tendência de inclinação
dentária. Esta inclinação responde pelo estabelecimento
de uma angulação na interface fio/braquete
e, assim, o aumento da fricção superficial5,17,18.
Abordando-se a dimensão e forma dos fios ortodônticos,
uma influência direta é observada com
relação à quantidade de atrito gerada. Fios ortodônticos
de maior secção transversa disponibilizam
um maior preenchimento da ranhura do braquete
envolvido15 e, conseqüentemente, uma maior
área de contato com o mesmo, resultando em uma
maior fricção superficial1,6,17. Um aumento do atrito
também é observado quando fios retangulares
são empregados. Esta desvantagem, porém, é consideravelmente
suprida pelo controle de posições
radiculares permitido por este tipo de fio durante a
movimentação dentária.
FERNANDES, D. J.; ALMEIDA, R. C. C.; QUINTÃO, C. C. A.; ELIAS, C. N.; MIGUEL, J. A. M.
R Dental Press Ortodon Ortop Facial 99 Maringá, v. 13, n. 3, p. 97-103, maio/jun. 2008
Viabiliza-se, assim, uma menor incidência de
inclinações indesejadas que proporcionariam o
estabelecimento de angulações, convergindo para
um atrito resultante muito superior ao aferido em
conseqüência apenas da secção retangular transversa
do material4,13,17,18.
O atrito e a clínica ortodôntica
O planejamento da movimentação dentária
pode envolver diversos tipos de técnicas, estando
o uso de mecânicas de deslizamento muito
presente no cotidiano da clínica ortodôntica.
Contribui ativamente para o estabelecimento de
forças de atrito em grau muito superior ao observado
pela ativação de alças ou loops1,10,11,14,15.
Diferentemente do uso de alças onde o atrito gerado
é consideravelmente menor, o deslizamento
responde por considerável quantidade de fricção1,10,11,12,14,15.
Para que o movimento dentário seja estabelecido,
é preconizado que a força exercida por um
capilar sanguíneo seja aplicada sobre os tecidos de
suporte dentário1,12. Esta força contudo, deve primeiriamente
superar a resistência apresentada pela
fricção gerada na interface braquete/fio. Quando
altos níveis de atrito são observados neste conjunto,
a força aplicada pode ser reduzida à ordem de até
60% de sua intensidade original, podendo transcorrer,
clinicamente, na dificultação da movimentação
dentária desejada e em perda de ancoragem10,14.
Diversas outras manobras clínicas também respondem
pela geração de atrito. Dentre elas pode-se citar
a aplicação de torques ativos e o alinhamento e
nivelamento de elementos dentários10.
Devido à capacidade do atrito gerado de influenciar
diretamente na velocidade e intensidade
de movimentação dentária, seu controle torna-se
crucial para o sucesso do tratamento ortodôntico
planejado. Desta forma, qualquer dispositivo que
viabilize sua redução deve ser analisado e estudado
de maneira singular em cada caso. Observa-se,
assim, uma indicação em potencial do emprego de
braquetes autoligáveis. Estes dispositivos, quando
confeccionados em materais não metálicos, ainda
suprem a maior demanda observada por parte dos
pacientes com relação à estética12. Todavia, pouco
foi observado em literatura sobre o comportamento
deste tipo de artefato quando confeccionado
por polímeros resinosos. A observação do comportamento
frente às situações clínicas que envolvam
uma quantidade considerável de atrito se torna
necessária.
Composição dos braquetes estéticos
Os braquetes estéticos podem ser compostos por
diferentes materiais; dentre eles a matriz cerâmica
e a resinosa são os mais empregados, por apresentarem
maior semelhança à maioria das colorações
evidenciadas à composição do esmalte dentário.
Os braquetes estéticos cerâmicos são compostos
de 99,9% de óxido de alumínio, podendo diferir
segundo o modo de fabricação, sendo denominados
de mono ou policristalinos10. Os artefatos compostos
por matrizes resinosas são confeccionados, principalmente,
a partir de policarbonatos. Inicialmente,
sua composição abrangia apenas matrizes puras,
o que tornava o material mais propenso a deformações,
fraturas e manchamentos8. Uma nova composição
foi, então, estipulada para sua constituição,
abrangendo a incorporação de reforços cerâmicos
e de fibras de vidro. Os incrementos cerâmicos são
observados nos sistemas autoligáveis Opal (Ultradent,
South Jordan, EUA) e os de fibra de vidro no
modelo Oyster (Gestenco, Gothemburg, Suíça) e
Damon 3 (Ormco, Glendora, Califórnia, EUA). A
modificação das matrizes do material garantiu uma
superior resistência, estabilidade e menor suscetibilidade
ao manchamento8,9, apresentando, contudo,
valores de dureza e rigidez inferiores quando
comparados aos braquetes de aço inoxidável e os
de matrizes cerâmicas19.
O único modelo de braquetes autoligáveis
translúcidos não confeccionados em policarbonato
é o In-Ovation estético (GAC, Nova Iorque,
EUA). Sua manufatura em cerâmica abrange a
associação da matriz policristalina à liga de aço
R Dental Press Ortodon Ortop Facial 100 Maringá, v. 13, n. 3, p. 97-103, maio/jun. 2008
A estética no sistema de braquetes autoligáveis
inoxidável responsável pelo revestimento de sua
ranhura e do sistema de autofechamento anterior.
Este padrão de emprego do material estético, em
apenas uma fração diminuta do corpo do artefato,
foi também utilizado pela Ormco (Glendora, Califórnia,
EUA) no modelo Damon 3 , só que incorporando
o policarbonato ao invés da cerâmica.
Considerando-se o método de confecção dos
braquetes de policarbonato, Zinelis et al.19 afirmam
ser a manufatura dos artefatos realizada sob
a injeção de um único tipo de material. A impossibilidade
de soldagem ou brazagem devida à
não-resistência da matriz de policarbonato a estes
procedimentos inviabiliza qualquer tentativa de
confecção segmentada da base, corpo ou trava de
precisão do artefato. Esta montagem a partir da
união de diferentes partes é observada durante a
manufatura dos braquetes de aço inoxidável, onde
sua base possui rigidez inferior quando comparada
a partes de seu corpo, como por exemplo as asas
do artefato19. Desta maneira assegura-se uma base
composta por um aço inoxidável de módulo de
elasticidade inferior e maior resiliência em relação
às asas do mesmo artefato, reduzindo possíveis danos
ao esmalte dentário durante a descolagem19.
O sistema de braquetes autoligáveis
O sistema autoligável difere dos demais pela
logística mecânica presente em sua ranhura, que
responde pela permanência do fio ortodôntico em
seu interior. Pode ser observada a existência de uma
cobertura metálica de material semelhante ao empregado
na manufatura do braquete. Esta cobertura
sofre encaixe na abertura da ranhura, funcionando
como uma quarta parede do mesmo e transformando-
o à semelhança do que seria um tubo ortodôntico . Este sistema observado em diversos
dispositivos (Tab. 1) segue a metodologia idealizada
pelo modelo Russel Lock11,13,15.
O outro modelo autoligável existente caracteriza-
se como transcorrendo do padrão desenvolvido
por Hanson4, em 1975, (Tab. 1), ancorando-se
na existência de uma mola de material resiliente,
que garante a reclusão do fio ortodôntico no interior
da ranhura dos braquetes. Todavia, o resultado
desta interação está subordinado ao calibre do fio
empregado. Este sistema originou a logística em
uso conhecida como spring clip1,5,12,15,16,17 ou sistema
ativo resiliente.
Por ser a união do binômio braquete/fio ortodôntico
realizada através do dispositivo mecânico
de autoligação, inúmeras vantagens foram atribuídas
à logística apresentada por esse tipo de artefato.
Dentre elas, pode-se citar a maior facilidade e
rapidez no momento de associação do fio à ranhura
do braquete7,13,14,17, um menor tempo de cadeira
por atendimento e de tratamento, maior conforto
e maior facilidade de higienização por parte do
paciente7,13, a diminuição das chances de quebra
da cadeia de biossegurança e de infecções cruzadas13
pelo fato de ser empregada uma quantidade
menor de instrumentais6 e a manutenção de forças


Tabela 1 - Comparação entre os sistemas mecânicos e anos
de surgimento dos sistemas de braquetes autoligáveis2,14.
mais constantes e duradouras sobre o elemento
dentário.
Uma redução da fricção superficial é intrínseca1,2,5-
11,13,15,16,17 a este tipo de dispositivo, exatamente
por dispensar qualquer tipo de agente
externo de ligação. Todavia, em casos de braquetes
autoligáveis resinosos, por haver a priorização da
estética do paciente12, desvantagens clínicas talvez
possam ser observadas. Trata-se da possibilidade
de aumento da fricção superficial apresentada por
este tipo de material. Este aumento refere-se às
possíveis elevações da rugosidade e do coeficiente
de atrito apresentado pelos polímeros resinosos







DISCUSSÃO







A fricção superficial é considerada uma grandeza
multifatorial, estando a mesma subordinada
a interações existentes entre o fio ortodôntico e o
braquete e à forma como estes dispositivos encontram-
se ligados9,11,15,16.
O comportamento dos fios ortodônticos, apesar
de também depender de sua interação com a
ranhura dos artefatos, é principalmente governado
por características intrínsecas próprias. Tais características
seriam suas propriedades físicas, abrangendo
a rugosidade, dureza e flexibilidade do material9,11,17.
A rugosidade responde pela modulação
do coeficiente de atrito, sendo estas grandezas diretamente
proporcionais e responsáveis pela intensidade
de fricção superficial produzida9. A dureza
dos fios também tem participação na intensidade
friccional produzida, dependendo, porém, da força
normal observada após o contato do material com
a ranhura dos braquetes ortodônticos11. Este contato,
geralmente, apresenta-se mais presente em fios
com menor dureza e maior flexibilidade.
A estética no sistema de braquetes autoligantes
R Dental Press Ortodon Ortop Facial 102 Maringá, v. 13, n. 3, p. 97-103, maio/jun. 2008
Quanto aos modos de ligação convencionais, é
empregado o uso de amarrilhos metálicos ou elásticos.
Ligaduras elásticas, apesar de sofrerem deformação
permanente em decorrência da hidrólise
térmica ou estiramento em meio bucal, são preferidas,
em decorrência de sua mais simples e fácil
forma de manuseio no cotidiano clínico. Contudo,
apresentam uma superior contribuição para o aumento
da fricção em decorrência do alto coeficiente
de atrito de alguns materiais borrachóides, como
o poliuretano1,15,16. O amarrilho metálico, por sua
vez, demonstra um coeficiente de atrito consideravelmente
inferior ao de seu análogo elástico,
uma superior efetividade e longevidade na forma
de amarração, além de facilitar a higienização por
parte do paciente, por propiciar uma menor retenção
de biofilme bacteriano14,15,16. Desvantagens de
tal sistema estariam no maior tempo de cadeira e
complexidade de manuseio deste material, além da
falta de padronização da força empregada por esta
amarração no complexo braquete/fio ortodôntico15.
Estas limitações, quando em associação à hidrólise
e fricção superior, evidenciadas no sistema
de ligação elástico, sinalizam para as vantagens de
utilização clínica do sistema autoligável, por este
independer de qualquer componente externo para
para reclusão do fio ortodôntico.
Os braquetes autoligáveis são divididos em dois
sistemas, de acordo com o tipo de dispositivo mecânico
presente. O mecanismo conhecido como
spring clip ou sistema ativo resiliente, resume-se
à existência de uma mola metálica que garante a
permanência do fio ortodôntico no interior da ranhura7,15,17.
A alta resiliência desta mola garante a
aplicação de forças mais constantes, fisiológicas e
homogêneas, além de propiciar um maior controle
da movimentação dentária nos 3 planos do espaço2.
Uma resposta simbiótica é observada quando este
dispositivo é utilizado em associação a fios de, também,
grande resiliência1. Todavia, quando objetivase
o controle do atrito, a indicação deste sistema
restringe-se a estágios iniciais de alinhamento e
nivelamento, onde fios ortodônticos de menores dimensões
são empregados12. Esta limitação está relacionada
à distensão da mola metálica, observada
quando em interação com fios de secção transversa
superior a 0,017”16. Nestes casos, o preenchimento
da ranhura atinge o contato com a mola resiliente,
tornando-a ativa na compressão do mesmo fio, resultando
no aumento da fricção superficial.
O outro tipo de dispositivo mecânico autoligável
é o encontrado no sistema de braquetes estéticos de
policarbonato. Este mecanismo conforma-se à existência
de uma tampa rebatível anterior, de mesmo
material de composição dos braquetes, que garante
a reclusão do fio ortodôntico em seu interior sem
qualquer tipo de pressão11,12,16. Sua efetividade está
na capacidade de aprisionamento do fio de maneira
passiva, estética e com reduzido atrito ao deslizamento.
Não se observam restrições quanto à secção
transversa dos fios, estando seu uso indicado em
qualquer estágio da terapia ortodôntica12.
Apesar da redução da fricção ser uma característica
intrínseca do sistema de braquetes autoligáveis,
esta propriedade é auxiliada por características
estruturais observadas na aparatologia autoligada
estética. O uso do policarbonato como material
de escolha contribui para a manutenção da fricção
superficial em níveis reduzidos8. Apesar deste
material, como visto em literatura8, ser mais friável
que outros análogos estéticos, a maior robustez observada
na estrutura dos artefatos autoligáveis nãometálicos
permite considerável resistência do mesmo
à fratura3. Este aumento estrutural necessário
no corpo dos braquetes não prejudica a estética do
dispositivo, e o teórico aumento do atrito que seria
esperado é completamente diluído pelos ganhos
conseguidos por um sistema composto por policarbonato,
que dispensa qualquer tipo de amarração.







CONCLUSÃO







O sistema de braquetes de policarbonato autoligáveis
apresenta-se como uma valiosa opção no
cotidiano clínico, em casos onde haja uma grande
demanda estética. Esta configuração de braquetes
permite o aprisionamento do fio ortodôntico de
FERNANDES, D. J.; ALMEIDA, R. C. C.; QUINTÃO, C. C. A.; ELIAS, C. N.; MIGUEL, J. A. M.
R Dental Press Ortodon Ortop Facial 103 Maringá, v. 13, n. 3, p. 97-103, maio/jun. 2008
forma passiva, sem a participação de nenhum agente
externo de ligação, promovendo a permanência
da fricção superficial em índices reduzidos. Obtémse,
assim, um tratamento mais rápido e confortável
para o paciente, que possibilita a aplicação de forças
ortodônticas de menor intensidade, além dos ganhos
estéticos únicos promovidos pelo sistema autoligável,
quando confeccionado em policarbonato.
Enviado em: junho de 2006
Revisado e aceito: janeiro de 2007

Ortodontia

Ortodontia! Cada um faz de um jeito? Bom até certo ponto!

Primeiramente: O DIAGNÓSTICO tem q ser o MESMO! Análise de modelos, análise facil, análises cefalométricas e demais radiografias.

A partir desse ponto um mesmo diagnóstico pode ter diversos planos de tratamento. Tem que se levar em conta a Queixa Principal do paciente. Aí o Ortodontista vai lançar mão de sua experiência para atingir o objetivo ou até mesmo mostrar para o paciente os limites do tratamento. Segundo Capelozza: O q é possível obter, o q é viável tentar e o impossível conseguir.

Além do planejamento Ortopédico, há as prescrições dos apalheros pré ajustados, as diferentes evoluções de fio e ainda os aparelhos autoligados.

Neste blog, a cada postagem vamos estudar juntos. Peçam para mim e para a Dra. Sandra explicações.

Aqui vc vai encontrar diferentes protocolos e discuções interessantes sobre casos clínicos e temas variados.

Vamos acumular conhecimentos juntos. Conhecimento serve para duas coisas:

1 Gerar riqueza

2 Ser compartilhado

Então vamos compartilhar conhecimento para tratarmos nossos pacientes, deixá-los com faces e sorrisos belos e então gerar riqueza!!

Um abraço a todos:

Dr. Renan Lana Devita

segunda-feira, 31 de maio de 2010

pilar em implantes






















Hoje vamos falaer de implantes ... outra especializaçao que fiz na usp de sp












A moldagem ao nível do implante é uma técnica de moldagem universal que torna possível a fabricação de qualquer tipo de restauração. Essa moldagem dá maior flexibilidade para a seleção e modificação de abutment pelo técnico de laboratório. Trata-se de técnica de moldagem recomendada quando um implante não está posicionado idealmente. É a técnica obrigatória para o Abutment Coroa Integrado e para as restaurações telescópicas.






Moldagem ao Nível do Implante
1. Remova o abutment provisório ou cicatricial.
2. Introduza o pilar de moldagem dentro da cavidade do implante. Escolha um pilar de moldagem preto para uma cavidade de 2.0 mm e um pilar de moldagem branco para uma cavidade de 3.0 mm ou um pilar de moldagem de metal adequado.
3. Injete material de moldagem em torno do pilar de moldagem. Assente a moldeira com material de moldagem. Faça a moldagem tomando cuidado para não distorcer o pilar de moldagem assentando excessivamente a moldeira. Pode ser necessário fazer um orifício na moldeira para o pilar.
4. Faça a moldagem.
5. Remova o pilar de moldagem do implante e introduza-o no análogo do implante de metal ou plástico.
6. Coloque a unidade montada na moldagem. Injete material de tecido mole ao redor do pilar e minimamente em torno do análogo do implante. Vaze material de moldagem no modelo dental de trabalho.

Notas: Um abutment de titânio real pode ser usado em lugar do pilar de moldagem. O abutment deve ter sido batido totalmente dentro da cavidade do implante antes de ser feita a moldagem. Após fazer a moldagem, o abutment de titânio é removido do implante e batido no análogo de implante antes de ser assentado como uma unidade na moldagem.

O pilar de moldagem deve ser batido na cavidade do implante. Não pode ser assentado axialmente seja torcendo ou empurrando. Se o pilar de moldagem plástico for removido com a moldagem, esta deve ser refeita, pois o pilar de moldagem plástico não registra a posição axial adequada do implante. Os pilares de moldagem de metal podem ser removidos com a moldagem.
Registro Oclusal
1. Introduza o pilar de moldagem na cavidade do implante e, se necessário, reduza o pilar para espaçamento oclusal.
2. Adicione resina acrílica ao pilar de moldagem para registro oclusal.

Notas: Se necessário, reduza a altura do pilar de moldagem antes de adicionar acrílico para registro oclusal.

Remova os pilares de moldagem do implante e envie o conjunto de registro oclusal para o laboratório para a montagem dos modelos dentais.

sábado, 29 de maio de 2010

PRÓTESE DE PALATO

Prótese de palato obturadora com bulbo faríngeo (repondo todos os dentes) com essa protese conseguimos recoloca la em convivio com a sociedade
Prótese de palato obturadora em posição ESSE PACIENTE DO SEXO FEMININO sofreu uma extraçao em serie por um colega de uma cidade proxima que desconhecia o tratamento causando assim um gde problema psicologico p ela

Paciente desdentado com palato aberto (fenda ampla) paciente que acompanhei durante meu curso de especializaçao em protese de palato no HOSPITAL DE ANOMALIAS DA USP DE BAURU


Prótese de palato obturadora com bulbo faríngeo






Prótese de palato obturadora em posição




Paciente com palato aberto (fenda ampla) apresentando todos os dentes














O que é prótese de palato?
A prótese de palato consiste num aparelho removível, que possui uma extensão fixa em direção à rinofaringe (região da garganta), o bulbo, cuja função é atuar dinâmica e funcionalmente em interação com a musculatura da faringe, no controle do fluxo de ar oro-nasal. É colocada no palato, popularmente conhecido como céu da boca, presa aos dentes, podendo repor dentes ausentes quando necessário.

Primeiro, vamos compreender como ocorre a fala?
Vamos compreender como ocorre a fala antes de explicar a atuação da prótese de palato.
Na expiração, o ar sai dos pulmões e passa pela laringe fazendo vibrar as pregas vocais. Estas, produzem ondas sonoras, que saem pela cavidade oral e/ou nasal e são percebidas pelos ouvidos como a fala. O que determina a direção do fluxo de ar pela boca, ou pela boca e nariz é o esfíncter ou válvula velofaríngea. No repouso, quando tal musculatura se encontra relaxada, existe um acoplamento entre as cavidades oral e nasal. Tal condição é necessária durante a respiração nasal e a produção dos sons nasais da fala. Já a produção dos sons orais, tanto quanto a realização de funções como a deglutição, a sucção, o sopro e o assobio requerem a ação da musculatura envolvida no fechamento do esfíncter velofaríngeo resultado na separação das cavidades oral e nasal.
O padrão normal de fechamento do esfínter velofaríngeo é realizado por três atividades distintas, porém integradas, da musculatura velofaríngea, resultando numa função do tipo esfinctérica.
A atividade esfinctérica da válvula velofaríngea envolve concomitantemente, os seguintes componentes:
movimento para cima e para trás do palato mole;
movimento mesial da musculatura das paredes laterais da faringe em direção às margens laterais do véu palatino;
deslocamento anterior da parede posterior da faringe.
Nem todos os falantes normais utilizam todos os três componentes com a mesma intensidade para obter o fechamento velofaríngeo. Variações individuais quanto à presença com maior predominância de um ou mais padrões de movimento durante a produção da fala, podem ocorrer.
Assim, para que um indivíduo produza os sons da fala de forma normal, além de boa articulação, um dos aspectos mais importantes que deve ser levado em consideração, é o equilíbrio perfeito da ressonância oro-nasal, resultante do funcionamento adequado da válvula velofaríngea.
Caso isso não aconteça, o ar sai também pela cavidade nasal produzindo uma fala com ressonância predominantemente nasal, que se percebe como sendo fanhosa. Dizemos, portanto, que ocorreu uma disfunção velofaríngea, ou seja, o fechamento do esfínter velofaríngeo não ocorreu e o ar que deveria sair só pela boca saiu também pelo nariz














O que causa a disfunção velofaríngea?
Há duas causas da disfunção velofaríngea:
Insuficiência velofaríngea: quando falta tecido para efetuar o fechamento velofaríngeo.
A insuficiência velofaríngea ocorre nos seguintes casos:
fissura de palato não operada;
fissura submucosa de palato;
insuficiência de tecido residual após a cirurgia de palato;
palato curto ou nasofaringe profunda que pode ser congênita ou adqüirida;
defeitos adquiridos após remoção de tumores/traumas.
Incompetência velofaríngea: quando ocorre uma incapacidade dos tecidos de se contraírem para a realização do fechamento velofaríngeo, ou seja, quando há uma falha funcional na atividade esfinctérica entre o palato mole e/ou paredes laterais e posterior da faringe. Esta definição deve incluir, não somente falhas no fechamento velofaríngeo, mas também falhas nas seqüências ou padrões inapropriados na duração e precisão dos movimentos do esfíncter.
A incompetência velofaríngea ocorre nos seguintes casos:
a) Alterações funcionais das estruturas velofaríngeas devido à problemas neuro-musculares, causados por:
paralisia parcial ou total do palato
miastenia gravis
poliomielite bulbar
traumatismo craniano
doenças degenerativas do sistema nervoso central ou periférico
acidente vascular cerebral (AVC) ou derrame
b) Alterações funcionais das estruturas velofaríngeas devido a uma falha de aprendizagem, causadas por:
presença de distúrbios articulatórios compensatórios (golpe de glote, fricativa faríngea, etc)
emissão de ar nasal durante a fala
fraca pressão intra oral, durante a fala
Em ambas as situações, como há uma perda indesejável de ar e de ondas acústicas pela cavidade nasal, ocorre uma alteração da ressonância de fala.
A predominância da ressonância nasal excessiva na fala, é que leva à hipernasalidade, mais conhecida como fala fanhosa.
O diagnóstico diferencial da disfunção velofaríngea (insuficiência ou incompetência) é fundamental para a definição de conduta quanto ao tratamento mais indicado. Este diagnóstico é realizado pelo fonoaudiólogo.








Formas de tratamento da disfunção velofaríngea
1) Nos casos de insuficiência velofaríngea (falta de tecido para a realização do fechamento velofaríngeo) pode-se indicar:
1.1) cirurgia1.2) prótese de palato com bulbo faríngeo
OBS: O encaminhamento para a cirurgia ou para a prótese de palato, nestes casos, vai depender das condições clínicas de cada paciente e da própria opção do mesmo, em realizar um ou outro tipo de tratamento.
2) Nos casos de incompetência velofaríngea (incapacidade de contração dos tecidos para a realização do fechamento) :
2.1) Quando há comprometimento neurológico, a manifestação clínica é a presença de paralisia total ou parcial do palato e/ou paredes faríngeas. O uso da prótese elevadora do palato é o tratamento mais indicado para a incompetência velofaríngea quando associada à presença de paralisias envolvendo os músculos do esfíncter velofaríngeo. A cirurgia estaria contra-indicada, pois nos casos não-progressivos o paciente poderia apresentar uma recuperação dos movimentos do palato e paredes faríngeas, com o tempo. Já, nos progressivos, pode ocorrer uma deterioração destes movimentos, invalidando a funcionalidade de uma cirurgia.
2.2) Quando a causa é funcional por problemas de aprendizagem, indica-se apenas a fonoterapia.








Quais são os tipos de prótese?
Há dois tipos de próteses, a obturadora e a elevadora:
Prótese obturadora:
a) sem bulbo faríngeo: utilizada para obturar fístulas no palato duro que pode ocorrer em pacientes com palato resseccionado por neoplasias malignas, e em alguns fissurados de palato congênito que ainda apresentam fístulas após a cirurgia.
b) com bulbo faríngeo: utilizada quando o palato não apresenta tecido suficiente para a realização do fechamento velofaríngeo.
Como o próprio nome diz, a prótese obturadora serve para obturar o palato, ou seja, para vedar o palato e bloquear o escape nasal de ar, quando há fístulas ou ausência de tecido no palato. Em outras palavras, a prótese obturadora substitui o tecido ausente no palato.
Prótese elevadora:
Consiste em um aparelho intra-oral removível com uma extensão (porção elevadora) feita de resina, a qual tem a finalidade de elevar o palato mole em direção à parede posterior da faringe.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

mordida cruzada dentiçao decidua




UNITERMOS: mordida cruzada, dentição decídua.



INTRODUÇÃO

Do ponto de vista da oclusão, cabe ao clínico e mais especificamente ao odontopediatra, identificar, diagnosticar e tratar precocemente algumas das maloclusões presentes nas crianças, já que o mesmo acompanha o paciente desde a mais tenra idade até a adolescência. Um conhecimento adequado sobre oclusão é o pré-requisito para se diagnosticar e tratar corretamente as interferências em crianças pré-escolares 5. Quando as crianças são tratadas durante a dentição decídua, o crescimento e desenvolvimento normais são mantidos 3, 11, 12.

Segundo WOOD 16, a mordida cruzada é uma relação anormal vestíbulo-lingual dos dentes da maxila ou da mandíbula, ou de ambos, quando em oclusão. Pode ser uni ou bilateral, anterior ou posterior.

Este trabalho tem por finalidade fazer uma breve revisão da literatura, bem

como apresentar um caso de mordida cruzada posterior funcional e seu respectivo

tratamento.



REVISÃO DA LITERATURA

MOYERS 9 definiu a mordida cruzada como a incapacidade dos arcos superior e inferior em ocluir normalmente em uma relação lateral, podendo ser decorrente de problemas de posicionamento dentário, de crescimento alveolar ou de uma grave desarmonia entre a maxila e a mandíbula. Segundo ele, alterações das bases ósseas, musculares, dentárias, traumatismos, perda precoce de dentes decíduos, hábitos de sucção e postura seriam alguns dos fatores que levariam à mordida cruzada. Ele ainda as classifica, baseado nos fatores etiológicos, em três tipos, a saber: 1) Dentárias: aquelas causadas por uma inclinação axial lingual de um ou mais dentes superiores; 2) Musculares ou Funcionais: originadas por uma adaptação funcional às interferências dentárias; e 3) Ósseas: decorrentes de alterações no crescimento ósseo, ou seja, crescimento assimétrico da maxila ou mandíbula, ou uma relação anormal entre ambos.

De acordo com WOOD 16, as mordidas cruzadas funcionais podem ser produzidas por: 1) interferências dentárias, 2) distúrbios têmporo-mandibulares e 3) uma assimetria dos arcos superior e inferior.

CHENEY 2 relata que interferências oclusais, ou seja, dentes mal posicionados, sensíveis ou traumatizados, perda prematura de dentes decíduos, dentes decíduos anquilosados, restaurações oclusais falhas e atividade anormal dos lábios levam a mordidas cruzadas funcionais.

O desenvolvimento de uma mordida cruzada é usualmente acompanhado por um desvio da mandíbula para o lado afetado quando do fechamento da boca 7.

A forma mais simples de mordida cruzada observada na dentição decídua ou

início da mista é aquela causada por interferências dentárias, especialmente dos

caninos decíduos 5. Em outros casos, as interferências podem ocorrer durante o processo de ajuste, na região de molares decíduos, mas os princípios básicos para o desgaste são os mesmos para ambas as regiões 5. Estas interferências podem levar a um desvio mandibular lateral e, em alguns casos, protrusivo. Como uma tentativa de se evitar estas interferências, o paciente desvia lateralmente a mandíbula, a fim de encontrar a posição de máxima intercuspidação. Esta mordida é denominada mordida cruzada posterior funcional.

SILVA FILHO e colab. 13, 1986, relatam que ao manipularmos a mandíbula em relação cêntrica, podemos verificar, quase sempre, que o comprometimento do arco superior é simétrico, ou seja, em cêntrica, existe uma mordida de topo bilateral, geralmente com contato prematuro dos caninos decíduos. Como este padrão de oclusão não oferece estabilidade, ocorre desvio da mandíbula buscando uma posição de conforto. Assim, as características desta mordida cruzada são: padrão unilateral, com desvio da linha média e cruzamento de todos os dentes após o canino.

MATHIAS 8, 1984, examinou 300 crianças, no município de São Paulo, com dentadura decídua completa, verificando quadros de maloclusão. No que se refere a mordida cruzada, a prevalência foi de 16,3%, e 75,5% dos casos apresentavam desvio de linha média.

As mordidas cruzadas posteriores não são auto-corrigíveis e se não tratadas, os molares e pré-molares permanentes erupcionam em mordida cruzada 10. KUTIN & HAWES 6 encontraram que de 48 pacientes com mordidas cruzadas posteriores não tratadas na dentição decídua, 44 deles apresentavam os primeiros molares e pré-molares permanentes erupcionados em uma relação cruzada.

WEST 15 encontrou que interferências funcionais não tratadas são mais comuns resultarem em maloclusões de maior complexidade do que qualquer outro tipo de problema na dentição decídua. Segundo ele, os objetivos do tratamento precoce na dentição decídua são: 1) remoção das interferências para a normalização da função e crescimento; 2) manutenção de uma função normal e 3) correção de desarmonias ósseas.

O tratamento precoce através somente do desgaste, ou em combinação com a expansão, é aconselhado para reduzir a prevalência das mordidas cruzadas 5, 6, 14 e, provavelmente, em alguns casos, eliminar a necessidade de tratamento em estágios posteriores do desenvolvimento da oclusão 5.



RELATO DE CASO

O paciente E. C. de 6 anos de idade foi trazido a clínica de pós-graduação da USC DE BAURU com história de trauma. No exame extra-oral, nenhuma anormalidade ou assimetria foi observada. Quando do exame intra-oral, constatou-se a ausência do incisivo central superior decíduo direito, em decorrência do trauma. Este paciente não apresentava lesões de cárie, apesar de possuir uma dieta com alta ingestão de carboidratos.

O exame de sua oclusão em uma relação cêntrica, revelou uma mordida cruzada posterior unilateral direita. As linhas médias superior e inferior não coincidiam; a linha média inferior desviava-se aproximadamente 2 mm para o lado direito em relação a linha média da maxila. Manipulando-se a mandíbula do paciente para uma relação de fechamento cêntrico, as linhas médias coincidiam. Entretanto, continuando-se o fechamento, ocorriam os primeiros contatos entre as cúspides dos caninos direitos decíduos. Após este contato prematuro, a criança completava o fechamento deslizando a mandíbula para a direita para poder entrar em oclusão cêntrica.

De posse dos modelos, comparando a largura transversal dos arcos dentários, observou-se que as medidas maxilares eram ligeiramente maiores do que as medidas mandibulares, sugerindo que não ocorria um estreitamento do arco superior. Após o diagnóstico de uma mordida cruzada posterior funcional unilateral, propôs-se o seguinte plano de tratamento: desgaste seletivo de caninos, superiores e inferiores, para se chegar ao equilíbrio oclusal.

Os desgastes foram feitos em ambos os caninos, direito e esquerdo, superior e inferior. Nos inferiores, o desgaste abrangeu as faces vestíbulo-distais, enquanto que nos superiores, as faces mésio-palatinas. Procedia-se o desgaste até que o paciente relatasse alguma sensibilidade. Neste momento, fazia-se uma aplicação tópica de flúor. No total, foram necessárias 3 semanas para se obter o equilíbrio oclusal.

Após atingir o equilíbrio, pediu-se ao paciente para fechar a boca em relação cêntrica, até atingir o primeiro contato oclusal. Este contato estava igualmente distribuído para ambos os lados, direito e esquerdo, com a linha média coincidindo. Portanto, através da utilização de um ajuste oclusal, eliminando-se as interferências, conseguiu-se levar o paciente a uma correta oclusão, com a correção da mordida cruzada funcional que o mesmo apresentava.



DISCUSSÃO

As mordidas cruzadas são maloclusões bastante frequentes, causando alterações no perfil do paciente quando não tratadas precocemente, uma vez que elas não são auto-corrigidas com a erupção dos dentes permanentes, como relatado por KUTIN & HAWES 6 e WEST 15.

As mordidas cruzadas funcionais são significativas a medida em que o deslocamento resultante do movimento do côndilo pode alterar o equilíbrio entre forma e função, podendo ser o fator etiológico no desenvolvimento de disfunções da ATM. MYERS e colab.10, encontraram que ambos os valores dos espaços vertical e horizontal medidos entre a cavidade glenoíde e o côndilo, foram significantemente menores no lado cruzado comparado ao lado não cruzado em crianças com mordida cruzada posterior funcional.

O diagnóstico de uma mordida cruzada depende de vários fatores, incluindo avaliação clínica oclusal, avaliação funcional comparando a relação de fechamento cêntrico com a oclusão cêntrica ou posição de máxima intercuspidação e a análise da dimensão do arco dentário que compara, especificamente, a largura de cada arco 13.

Diferentes métodos foram sugeridos para que o equilíbrio oclusal se auto-processe, incluindo a eliminação dos contatos prematuros que levam ao desvio 6, 14, diminuição no tamanho das coroas dos caninos decíduos e planos inclinados nestes dentes 5.

KISLING 5 sugere a confecção de planos inclinados com aproximadamente 45° com o longo eixo axial do dente, nas superfícies vestibular dos inferiores e palatina dos superiores. Além do mais, os planos inclinados oferecem à criança uma oclusão estabilizada na primeira posição de contato, bem como promovem um aumento na largura do arco superior e uma diminuição na largura do arco inferior.

O desgaste funcional pode ser justificado por duas razões: a primeira é que as interferências podem ser tão pequenas que o tratamento com expansor não é necessário; e a segunda, se houver atresia, a combinação do ajuste oclusal com o expansor pode levar a um resultado mais rápido do que a utilização isolada de um deles. Além do mais, a filosofia de desgaste funcional na dentição decídua deve ser mais largamente difundida, devendo ser feito em todos os casos onde uma pequena interferência de cúspide é diagnosticada, de modo a agir tão precocemente quanto possível, a fim de impedir a atresia do arco (processo de crescimento) 5.

Os dentistas não estão familiarizados com este ajuste oclusal e podem se mostrar hesitantes para desgastar de forma agressiva os dentes decíduos até removerem esmalte suficiente, a fim de proporcionar o ajuste do(s) dente(s) envolvido(s). As crianças também apresentam um desgaste natural dos dentes decíduos em um processo de ajuste oclusal natural 1.

Deve ser enfatizado que um minucioso diagnóstico deve preceder o tratamento ortodôntico, particularmente diferenciando entre um dente mal posicionado, alterações ósseas ou na ATM.

Quanto ao tratamento das mordidas cruzadas, todos os autores concordam que o mesmo deve ser precoce e sempre que possível deve-se interceptá-las na fase de dentição decídua, antes que problemas mais graves se instalem nas dentições mista e permanente, dificultando o tratamento posterior 1, 3, 4, 15. Na maioria destes casos, a eliminação dos contatos prematuros, precocemente, principalmente na região de caninos, é suficiente para promover a correção espontânea da mordida cruzada posterior funcional.



CONCLUSÕES

1- A análise funcional da oclusão é uma ajuda válida para o diagnóstico de interferências dentárias que levam a alterações oclusais.

2- Um correto diagnóstico e o conhecimento sobre o crescimento e desenvolvimento infantil capacita o odontopediatra a interceptar as maloclusões em uma idade precoce. A correção dos problemas funcionais permitirão o crescimento e desenvolvimento normais e podem simplificar qualquer necessidade de tratamento ortodôntico futuro.

pacientes com mordida aberta anterior, a associaçao de mentoneira com aparelhos convecionais







Dentre as alterações verticais da face, a mordida
aberta anterior (MAA) é a que deve ser interceptada
após os 4 ou 5 anos de idade.
De
forma geral, o tratamento precoce,
é aquele iniciado durante a dentadura
decídua ou mista, com o propósito de corrigir ou
interceptar a mordida aberta e se possível reduzir a
necessidade ou a duração do tratamento na dentadura
permanente. Obviamente, o tipo de tratamento a ser
instituído dependerá da morfologia e da magnitude
da má oclusão. Assim, classifica-se a MAA, em dentária,
dentoalveolar e esquelética1. A mordida aberta
dentoalveolar está relacionada aos hábitos de sucção
de dedo ou chupeta, previamente reportados, sendo
a idade uma consideração importante. Uma dúvida
freqüente dos pais ou mesmo dos clínicos é se a MAA

se autocorrige. Worms et al.17 relataram a ocorrência
de 80% de correção espontânea da mordida aberta
anterior em pacientes com idades entre 7-9 anos e
10-12 anos. A mordida aberta dentária se autocorrige
quando o paciente interrompe o hábito. Cabe ressaltar
que uma vez eliminado o hábito, a interposição lingual
pode perpetuar a MAA. Nestes casos o trabalho
interdisciplinar com a fonoaudiologia pode ser bastante
útil. De acordo com Cangialosi4, na mordida aberta
dentoalveolar os incisivos não se desenvolvem no
sentido vertical em função do hábito que impede sua
correta irrupção.
Quando o hábito é interrompido, a
mordida aberta tende a uma autocorreção.
Por outro lado, a mordida aberta esquelética muitas
vezes se manifesta apresentando-se com rotação
mandibular horária, ângulo goníaco aberto, ramo

mandibular curto, divergência entre os planos palatino
e mandibular, superirrupção dos dentes póstero-superiores,
com o aumento na altura facial ântero-inferior
(AFAI). Geralmente pacientes que apresentam este tipo
de má oclusão são classificados como pacientes com a
síndrome da face longa, exibindo ainda constrição maxilar
e mordida cruzada posterior, mandíbula e maxila
retruídas e uma mordida aberta anterior combinada
com o hábito de interposição de língua. Mordidas
abertas esqueléticas extremas, freqüentemente estão
associadas com malformações craniofaciais, como a
síndrome de Crouzon, onde há um grande desequilíbrio
na estrutura esquelética nas três dimensões da
face. Normalmente, este tipo de problema é corrigido
por meio da cirurgia ortognática. Um aspecto importante
diz respeito sobre a época ideal de intervenção
da MAA. English et al.7, enfatizaram que o tratamento
para pacientes com mordida aberta esquelética deve
ser executado precocemente para se obter sucesso em
jovens entre 7 e 8 anos de idade. O tipo de crescimento
facial é estabelecido precocemente no crescimento e desenvolvimento
do paciente. Se um paciente com traços
de hiperdivergência fenotípica não for tratado até o
estágio de desenvolvimento dos dentes permanentes, a
oportunidade de modificação do crescimento pode ser
perdida, neste caso, a correção cirúrgica é a única possibilidade
para o tratamento. Além disso, o tratamento
precoce melhora a aparência da criança, aumentando a
sua auto-estima. Recentemente, Klocke9 questionado
sobre a época de se intervir nos pacientes com MAA
se na dentadura decídua ou mista, respondeu que a
grande maioria dos estudos indica o tratamento na
dentadura mista como sendo a melhor época. Sob este

mesmo prisma, qual o tratamento mais favorável para
a mordida aberta esquelética? Segundo English et al.7,
o controle da dimensão vertical passa a ser o fator mais
importante no sucesso do tratamento de pacientes com
hiperdivergência facial. O tratamento deveria resultar
no aumento facial proporcional de posterior para anterior,
da rotação da mandíbula no sentido anti-horário,
e aumento do crescimento vertical do côndilo. Um dos
mecanismos para se conseguir a rotação anti-horária da
mandíbula é por meio da “intrusão” dos molares, ou
do controle vertical destes dentes com o uso de barra
palatina com botão de acrílico6, 14, aparelho extrabucal
associado ao Haas colado e exercícios musculares7.
Além da abordagem sobre a maxila, o arco lingual de
Nance também restringe o desenvolvimento vertical
dos molares inferiores como relatado por Villalobos,
Sinha e Nanda16.
Há mais de duas décadas venho utilizando com
sucesso a mentoneira associada com grades palatinas
fixas ou removíveis para o tratamento da MAA dentária
ou esquelética. Os pacientes são orientados a
utilizarem a mentoneira por 10 a 12 horas, somente
à noite, e com força de 400 a 450 gramas de cada
lado. Este protocolo de tratamento não é recente,
como se pode observar nos estudos de Pearson12,
13, Dellinger5 e Haas8. Outro aspecto de interesse é
que geralmente o paciente com MAA possui atresia
maxilar como salientado anteriormente, o que inspira
a colocação de um aparelho expansor maxilar.
No entanto, este procedimento gera a extrusão dos
molares superiores e conseqüentemente a rotação

horária mandibular. Para estes casos, a mentoneira
vertical torna-se extremamente útil, controlando
melhor a dimensão vertical como aludido por Majourau
e Nanda10. Recentemente, Sankey, Buschang,
English e Owen15 combinaram o uso de expansor
colado na maxila com a mentoneira e a placa lábioativa
modificada para tratamento de 38 pacientes
hiperdivergentes com idade média inicial de 8,2
anos. Os resultados apontaram que 16 pacientes
que possuíam MAA apresentaram um aumento no
trespasse vertical de 2,7mm com restrição no aumento
da AFAI e rotação mandibular anterior 2,7
vezes maior comparando-se com o grupo controle.
Portanto, a associação da mentoneira noturna com
os aparelhos que possuem grade palatina parece ter um
melhor efeito de controle vertical sobre a mandíbula
e os dentes superiores. Além disso, o tempo de tratamento
parece ser menor e a estabilidade alcançada
nos permite inferir que a grande maioria dos pacientes
tratados na fase de dentadura mista permanece estável.
Cabe ressaltar que apesar dos bons resultados angariados
por este protocolo de tratamento, a estabilidade
a longo-prazo ainda deve ser estudada em amostras
prospectivas e randomizadas.

analise cefalometrica

Os pontos cefalométricos analisados serão localizados seguindo-se uma seqüência pré-estabelecida pela comunidade odontológica, conforme apresentados na Tabela 1.
Tabela 1
-Grandezas cefalométricas,
respectivas siglas e definiçõesGrandeza CefalométricaSiglaDefiniçãoFrankfurt Mandibular AngleFMAÂngulo formado pelo Plano Horizontal de Frankfurt com o Plano Mandibular.
Frankfurt Mandibular IncisorAngleFMIAÂngulo formado pela linha do eixo do incisivo inferior e pelo Plano Horizontal de Frankfurt.
Incisor Mandibular Plane AngleIMPAÂngulo formado pelo Plano Mandibular e a linha do longo eixo do incisivo inferior.
Ângulo
Sela,
Násio, Ponto ASN
AMedida angular que mostra o posicionamento anteroposteriorda maxila
.Ângulo Sela, Násio, Ponto BSNB
Medida angular que mostra o posicionamento anteroposteriorda mandíbula.


onfecção das análises cefalométricas convencionais, seguindo o padrão USP